Enfim, deixada a preguiça de lado, rumei à universidade animada "uou, novas pessoas" e, chegando lá, dei de cara com um grande e profundo silencio. Nem. Um. Pio. E o mais engraçado é que estávamos todos do lado de fora, mas a sala estava aberta. Era como se precisássemos de uma figura adulta, um professor, para dar permissão pra assentar, e etc. Até porque ninguém tinha idade e maturidade o suficiente para fazer essa decisão. Né. Mas logo chegou o diretor para nos salvar e mandar a gente sentar de perna de índio numa roda bem bonita.
Foi um típico primeiro-dia-de-qualquer-coisa: muitos falatórios sobre o que vamos aprender com o curso, coisas importantes que precisamos saber e invasão dos veteranos. Aliás, isso não é uma coisa típica de primeiros dias. Pessoas mais velhas te colocando em cima de uma cadeira, fazendo perguntas e carimbando pênis alados no seu corpo soa rotineiro? Só podes estar surdo. Foi uma experiência interessante, essa de subir na cadeira. Não desequilibrei e ainda me senti superior olhando a caspa de todo mundo HA HA HA (na verdade, eu estava maiis para um pombo caído) e dei sorte da minha pergunta ser fácil: Comic Sans ou Helvetica (estou usando Helvetica no momento, então é fácil adivinhar minha resposta. Na verdade, qualquer coisa é melhor do que Comic Sans, exceto, talvez, Times New Roman, que eu considero as duas pau pau na piorzisse). Com a resposta triunfal "Helvetica" desci na cadeira em meio a aplausos, com orgulho dos meus pililius, e assentei no meu lugar, respirando devagar pra evitar algum AVC. Mas claro, foi um deleite assistir a todos passarem pela mesma "humilhação".
Não durou muito e: mais palestras. Nada melhor do que palestras. Everybody loves palestras. Palestras para presidente. Não estou desemerecendo os esforço dos veteranos em preparar uma recepção decente pra nós, porque é realmente legal toda essa dedicação para alguns burrinhos, mas a definição de palestra é só uma: maçante. Mesmo que a palestra seja legal. Maçante. Mas nada que tentar bater meu recorde de 0 no Flappy Bird não resolva. Brincadeira, prestei atenção na maioria das coisas (inclusive nos canos do Flappy Bird) mas a fome era tanta que estava desesperada pra pagar R$1,50 num pão de queijo (outra coisa que eu pensei que ia me livrar era dos preços caros da cantina da minha escola. O preço do pão de queijo acabou sendo o m e s m o) e, como a barriga fala mais alto, corri direto pra cantina filar o salgado. Foi lá que eu descobri o mural super legal cheio de desenhos de Hora de Aventura. Me senti em casa.
Porém, >claro< que não tinha acabado, porque, segundo os veteranos, eu estava "limpa demais" (nao entendi, eu tinha pintos pelo corpo todo e estava limpa?) e levei umas tintas no rosto e dentro da orelha. Tinta daquelas que secam e eliminam toda a mobilidade que você dispõe na cara. Não dava nem pra sorrir direito. Super legal.
Mas durante todo o caminho de volta pra casa (que incluía passar pelo Centro como se na minha testa estivesse escrito "o circo está na cidade") veio uma energia positiva daquelas ótimas, acho que foi uma das vezes que mais me senti bem na minha vida, porque agora sim estava no lugar certo. Sem mais física, biologia e química dos infernos. Agora só dedicação para uma coisa que eu gosto, e com certeza estou preparada para esses 4 anos. O amanhã já está aí (daqui a 40 minutos) e vou mergulhar de cabeça.
Às 6:30 da manhã...
Ai meu Deus.
Não.
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